Monday, March 20, 2006

TÃO BURRINHOS QUE NÓS SOMOS!

Por: Bragança
dos Santos


Enquanto membro de uma classe que foi, em termos teórico-científicos e práticos, preparada, não só durante o período de formação inicial, nos bancos da escola e nas actividades de campo, de contacto e de prática pedagógica assistida, mas também ao longo desta mais recente eternidade de três décadas de leccionação, numa tão alargada diversidade de contextos lectivos, na chamada formação continuada, compulsiva e/ou voluntária, sentimo-nos, naturalmente, ofendidos face às investidas obstinadas da tutela, naquela linha de quem tudo sabe e tudo pode, mesmo para lá da legislação que, paulatinamente, foi sendo elaborada no sentido de balizar estatutariamente a carreira dos educadores de infância e dos professores dos 1.º, 2.º, 3.º Ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário. Que garantias pode então significar, para determinada classe, um estatuto enquadrado juridicamente por um Decreto-Lei, se, às duas por três, um qualquer governo – ainda que de maioria absoluta -- com ideias preconcebidas e manifestamente precipitadas, porque inconsequentes e já comprovadamente contraproducentes, resolve pescar, aqui e ali, no seio desse mesmo documento legal, um conjunto de artigos e alíneas e, sem água vai, resolve, pura e simplesmente, revogá-los, sem ter sequer discutido, em sede de consertação social, com os respectivos parceiros, a globalidade do Estatuto, tendo em conta, por exemplo, uma certa necessidade de actualização das matérias aí constantes, devido aos anos que aquele documento, no momento, conta?

Serão estes os sinais de um tempo em que ninguém respeita ninguém; ninguém demonstra um mínimo de solidariedade ou empatia por ninguém; em que o controlo das situações, por mais simples que sejam, escapa, de forma comprometedoramente problemática a quem tem por obrigação prever as consequências dos seus actos? Estamos aqui a fazer referência a esta nossa sociedade que, como facilmente se depreende inclui também a classe política que (não) temos e que continua a hipotecar o futuro do futuro dos portugueses, tais são as perspectivas que se nos apresentam, se tivermos em linha de conta, quer a repetição exaustiva das mesmas asneiras de sempre, pelos protagonistas de quase sempre. Não há pachorra!

Tão burrinhos que nós somos, para continuarmos mansamente a admitir ser tratados da maneira que temos sido tratados até hoje, sem um mínimo de indignação ou revolta! Não é por acaso que têm acontecido episódios como aqueles que as televisões e as rádios têm noticiado e que são de deixar qualquer cristão de cabelos em pé. A miséria material arrasta a miséria moral e, nesta desconforme conformidade, cada vez mais, se conjugam os múltiplos factores que têm determinado os espancamentos a crianças (alguns dos quais até à morte), os assassinatos, os roubos, o tráfico descarado e desenfreado de drogas violentas, as perseguições às autoridades, enfim, este Texas lusitano de contornos assustadoramente problemáticos e difíceis de contrariar.

Tão burrinhos que nós somos, para não percebermos que a burocracia está a aumentar, qual bola de neve enganadora, nomeadamente no que diz respeito às voltas que o cidadão tem que dar quando adquire casa própria e requer isenção do imposto municipal sobre imóveis. Já agora refira-se que a isenção, para os contemplados, baixou de dez para seis anos, ainda que as prestações, que nos levam couro e cabelo, tenham aumentado grandemente, não só em número de anos, mas também em volume de euros, podendo mesmo ser pagas ao longo de trinta, quarenta ou até, imagine-se, cinquenta anos. Inaudito!!! É a vida inteira de um cidadão a trabalhar para os fabulosos lucros da banca nacional e mista.

... Que a burocracia e a perda de tempo irão atingir proporções desesperantes, quando, como diz o Sr. Ministro, “for o Fisco a tratar de tudo”, como se tal fosse possível. Então e as declarações das despesas de saúde, de educação, de seguros, de aquisição de tecto dos cidadãos, sempre varáveis de ano para ano?! Expliquem isso às pessoas, para que elas entendam! Irá ser o regresso em massa das bichas nas morosas repartições de Finanças?! O Portugal “Internet” é um país minoritário, excelência!

E hoje ficaremos por aqui. Agora, que anda tudo desorientado, lá isso anda. Reparem só no comportamento de todos quantos se pronunciaram a respeito das manifestações ocorridas no mundo muçulmano e noutros locais do globo que não aí? Nós, para não errarmos, nada diremos sobre o assunto. Deixaremos apenas ao leitor, para motivo de reflexão, uma pequena questão: Que dizer de uma sociedade, que tem como característica fundamental, o culto da morte?!

20 de Fevereiro de 2006

Bragança dos Santos

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